Quando comecei com a turma, encontrei meninas em uma idade conflituosa: A puberdade. Elas estão passando de meninas para mulheres e esta transição não tem um tempo específico para acontecer e cada uma delas está amadurecendo em seu tempo, porém vejo o dilema predominantes em todas: Ainda são crianças demais para certas coisas ou se sentem moças demais para outras.
O que estou descrevendo aqui, pode não ser uma verdade absoluta ou pode nem mesmo fazer um real sentido do ponto de vista da sociologia e psicologia, afinal não sou profissional em nenhuma dessas áreas apesar de já ter estudado o básico na faculdade de Direito. Sou uma professora de dança que diante de algumas atitudes e características indentificadas em minhas alunas, resolvi criar uma metodologia de ensino onde eu possa ajudar a construir um bom caráter, a torná-las adultas responsáveis, disciplinadas e auto-confiantes.Pela minha experiência em alguns anos como professora, percebi que em cada idade devemos lidar de uma certa forma com as alunas. Tanto em relação a linguagem usada, os movimentos ensinados, a metodologia e o nível de cobrança do comprometimento das alunas. As crianças por exemplo, que costumo pegar a partir dos oito anos de idade, desenvolvo um trabalho mais leve e dinâmico para poder prender a atenção das meninas e não deixar a aula chata. Eu sempre digo para as mães que nessa idade o ideal é colocar no ballet e no jazz devido a base que essas modalidades proporcionam, mas se o que elas e principalmente as crianças querem é Dança do Ventre, não vejo problema nenhum desde que seja trabalhado da forma correta, respeitando as limitações de uma criança, da sua anatomia e fisiologia e principalmente do seu psicológico.
As alunas adultas, principalmente as que nunca praticaram essa ou nenhuma modalidade de dança também deve ser trabalhado de forma leve e paciente, respeitando o limite de cada uma, porém a linguagem muda, desenvolvemos muito a sensualidade e a auto estima. As mulheres que entram na dança do ventre, principalmente depois dos 30 anos de idade, escolhem essa modalidade para si mesmas, para se descobrirem, dançam pra si, não se interessam muito por apresentações e competições, estão alí para aliviar as tensões do dia a dia relacionadas ao trabalho, casamento, filhos e etc.
Já as adolescentes são um caso a parte, elas não são tão inocentes quantos as crianças e nem vividas e experientes como as adultas, as vezes são rebeldes em decorrência da própria idade e tendem a querer fazer apenas aquilo que querem. Com minhas alunas eu tive um tempo até entender o que eu precisava fazer para poder fazer com que chegassem no horário a tempo do alongamento, para que fizessem os exercícios de repetição sem reclamar e para que não aparecessem apenas quando iríamos ensaiar coreografias para apresentações.Primeiro criei um esquema de aulas em que eu pudesse explorar tudo que fosse necessário: Alongamento fundamental no início, aquecimento com isolamentos (quadril, peito, cabeça, ombros...), estudo e desenvolvimento de novos movimentos e por fim sequências com movimentos aprendidos e/ ou estudo de coreografia mais alongamento final. Mas mesmo assim elas ainda queriam fazer apenas o que achavam divertido, ficavam conversando nas aulas, brincando e etc. Foi aí que tive um estalo (plimmm), notei que o que elas curtiam era dançar e não repetir movimentos apesar de ser primordial esse passo para se obter a evolução e a perfeição, percebi que o ápice nas aulas de dança para elas é poderem se apresentar publicamente porque isso aumenta muito a estima delas, poderem mostrar o que estão aprendendo para amigos, colegas de escola e família, é como uma forma de obter atenção e reconhecimento que a maioria das meninas dessa idade precisam.
O que fiz foi aliar o que elas sonhavam em realizar com o que elas precisavam fazer para chegar lá e então criei regras como na escola. Impor regras e limites nessa idade é fundamental, fiz elas perceberem que apesar da dança ser um hobbie também é algo sério principalmente se elas querem evoluir e um dia serem bailarinas profissionais. Criei regras em relação a horário e atraso, limites de faltas e regras sobre comportamento e conduta de umas com as outras durante as aulas, respeito as diferenças de nível e companherismo. Em vez de rir da colega que ainda não consegue fazer o movimento, ajude. E não é que funcionou? Ninguém falta mais a não ser com atestado médico ou declaração da mãe com uma justificativa plausível sob pena de não poderem se apresentar quando for oportuno. Para não ficar aquele clima de escola, as vezes dou um tempo livre para dançarem a vontade e explorarem os movimentos aprendidos, quando possível assistimos filmes sobre dança e motivação para não desistirem dos seus sonhos.
Resultado: Agora tenho alunas adolescentes cada vez mais responsáveis, disciplinadas e com uma auto estima incrível, quando falo para elas fazerem a coreografia sozinhas sem meu auxílio elas amam o desafio e se sentem orgulhosas. Vejo muito talento na minha turma e fico feliz de ter encontrado um caminho para não desperdiçar isso. A maior gratificação? Vê-las evoluindo, felizes, realizadas e sendo aplaudidas e parabenizadas nas apresentações.


Muito legal o trabalho lindo o blog ...sucesso Amanda
ResponderExcluirMuito obrigada! Fico feliz que tenha gostado! Sucesso pra nós.
ResponderExcluirAmanda, parabéns pela seriedade com que vc encara seu trabalho. Vc demonstra alegria, maturidade e responsabilidade no exercício da sua profissão. Vc é simplesmente The Best. Orgulho de vc, menina.
ResponderExcluirMuito obrigada Beth! <3
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