domingo, 18 de agosto de 2013

Corpo: o Instrumento da Bailarina



Sem música não há dança. Sem movimento corporal também não. A dança apenas ocorre quando o corpo executa movimentos a partir de um determinado ritmo.

"O autor Bourcier se dedicou em seu livro “A história da dança no ocidente” a esse tema: a relação da dança e dos ritmos. De acordo com ele, a dança teria surgido como meio de expressão religiosa dos homens primitivos, conclusão sugerida por cinco pinturas rupestres, encontradas em sítios arqueológicos. A hipótese apresentada por Bourcier é a de que os primeiros ritmos teriam surgido de percussões, e de que a partir desses ritmos, o próprio corpo humano passou a se movimentar de forma ritmada. Desde então, a dança vem atravessando gerações, e divisões e subdivisões vão sendo criadas dentro dessa prática".

Eu particularmente sempre quis aprender a tocar um instrumento, fosse de corda, sopro, percussão, enfim. Tentei aprender violão mas meus dedos não eram ágeis o suficiente, cheguei a ganhar um teclado quando era criança mas não conseguia tocar nada mais do que dois ou três trechos para iniciantes, como os clássicos "Parabéns pra Você" e "Do, ré, mi, fá". Quando adolescente tive aulas de percussão com tambores africanos, nessa modalidade até que levei algum jeito, mas logo desisti, não era o meu ritmo ideal, embora a africa esteja arraigada em cada um de nós brasileiros e o ritmo fosse forte e bonito, não me atraia.
Desde criança eu danço, fiz ballet clássico e jazz por oito anos mas nunca fui a primeira bailarina da classe, sempre ficava na segunda fila por ser alta e por não ser tão boa e demorei a ganhar um solo nas apresentações de fim de ano e quando ganhei adivinhem: era uma fusão de ballet com dança oriental, ganhei o papel da visitante árabe da Fada Açucarada no clássico "O Quebra Nozes". Não tinha jeito, a dança oriental me escolheu, e eu a escolhi, essa sim, desde a primeira aula me destaquei e a professora sempre me colocava na frente como exemplo para outras alunas.
Fiquei muito feliz quando descobri a minha dança, pois dança sempre foi uma paixão mais que tudo, por mais que eu não me desse muito bem no ballet eu não desistia, algo dentro de mim me motivava a continuar e me esforçar.

Descobrir a sua dança é como descobrir o seu instrumento. Há quem toque de tudo um pouco, há quem dance tudo muito bem, mas sempre vai ter algo em que você se destaque mais, é nato e fato.
Depois de anos praticando a dança do ventre, como tudo que fazemos na vida, nunca me livei daquele sentimento de sede dentro de mim, sei que estou longe de ser perfeita apesar de saber que sou boa, mas nunca é suficiente, sempre quero mais. Com essa inquietude aqui dentro comecei a fazer aulas de percussão árabe para poder estudar melhor os ritmos e sentí-los mais naturalmente e consequentemente melhorar a minha performance. Finalmente cheguei a conclusão que agora me parece lógica e muitos já devem saber, mas que para mim era um  enigma: Nós bailarinos realmente tocamos a música com o corpo através dos nossos movimentos. Sinto cada batida no derbake ressoando nos meus quadris e ombros, sinto a flauta me movimentando como uma serpente em oitos e camelos e cada dia tenho mais consciência dos ritmos e sons e dos movimentos do meu corpo.
 Uma boa leitura musical é extremamente importante para uma boa performance. Sempre ouvimos de nossos professores de dança: "feche os olhos e escute a música, sinta-a.", quando fazemos isso e conseguimos sentir profundamente com a nossa alma, distinguimos os
instrumentos, separamos os sons e os ritmos e por fim conseguimos realmente tocar a música com nosso corpo. Em qualquer modalidade de dança é assim, desde o ballet clássico, jazz, danças de salão e danças orientais. Mesmo se você não simpatizar em tocar algum instrumento, passe um momento escutando apenas a música, ouça, leia mentalmente seu ritmo, separe os instrumentos e depois dance-a, tenho certeza que vai melhorar muito mesmo a sua performance, assim como sinto a cada dia uma melhora na minha. <3

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