quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Viagem pelo Mundo da Dança: Amsterdam, Cidade Rítmica


Pensaram que eu tinha abandonado meu blog né? Nananinanão!!! O que acontece é que eu estou no meio de uma maravilhosa EUROTRIP e realmente estava muito difícil parar pra contar tudo que está acontecendo por aqui. Mas hoje resolvi tirar um dia de "folga" dos centros turísticos, paisagens maravilhosas, culturas incríveis entre outras coisas e dar uma cuidada de mim e do meu blog.
Bom, essa viagem que durará exatamente um mês não teve o principal foco na dança, mas como eu não  consigo ficar sem bailar tanto tempo assim, claro que estou aproveitando para adquirir experiências e trocar figurinhas por onde passar.

Primeira parada da TRIP: Amsterdam - Holanda, segunda vez que venho a este País e essa cidade encantadora. Meu namorado e eu reservamos um estúdio em uma região central, pertinho de tudo (em Amsterdam, dependendo do lugar que você se hospeda da pra fazer tudo a pé ou de bicicleta), o estúdio fica em frente uma linda catedral e da famosa casa Anne Frank* (onde se escondeu uma jovem judia que escreveu um diário durante o holocausto e contou seu dia-a-dia no período do regime nazista. Anne Frank tinha uma maturidade incrível para sua idade e época, sobretudo pelo momento em que passava, ela escrevia suas concepções sobre o mundo. Seu diário foi encontrado e publicado depois que ela e toda sua família, assim como centenas de judeus, foram executados pelo ditador Hitler. )=


Logo que cheguei em Amsterdam fui tomada por uma nostalgia incrível, pois estive lá há dois anos atrás. Porém minha cabeça na época, estava com outro foco, outros planos e talvez isso não tivesse me feito perceber tão claramente que a cidade era tão ritmica, musical e dançante.
As vezes pensamos em sons, em ritmos apenas quando ouvimos músicas hamônicas, com diversos instrumentos sincronizados e uma linda voz interpretando, mas não. De um tempo pra cá, eu aprendi a ouvir outros tipos de músicas, outros ritmos,  os sons da natureza, das cidades, os sons da noite e até os barulhinhos do silêncio.

Amsterdam durante o dia é uma linda loucura de imagens e sons que formam um verdadeiro
espetáculo, as construções antigas que antes eram depósitos que abrigavam os produtos produzidos por lá afim de serem escoados através dos canais para o porto de Rotterdam, são um charme a parte, por ter um solo muito instável devido aos canais que cruzam quase toda a Holanda, muitos dos prédios são tortinhos, inclinados para um lado, para o outro ou para frente, dando a impressão que podem cair a qualquer momento, muitos possuem flores em todas as janelas. Aliás, há flores por todos os lados, nas ruas, nos canais, nas bancas e nas cestinhas de bicicletas e tem até mesmo um mercado apenas para elas, o Mercado das Flores onde se encontra flores e sementes de inúmeras espécies de lá. Nos canais muitos barcos circulando, o que apelidou Amsterdam como a Veneza Holandesa. Barcos vem e vão em uma eterna dança. Nas ruas muitas bicicletas, trans, ônibus e carros, (tem que se ter muito cuidado ao atravessar as ruas e sempre respeitar os sinais e as faixas de pedestres, os holandeses respeitam muito e lá as bicicletas são prioridades até mais que os pedestres.)
As buzinas das bicicletas, dos trans entre outros veículos, o trotar dos cavalos nas charretes, o violino de um artista de rua, o fole de outro, as conversas nas ruas, esquinas, bares e coffees, em todos os idiomas que se pode imaginar, os sinos das igrejas, formam uma linda música, encantadora e se você parar pra ouvir consegue distinguir cada som.
Os sons das igrejas são o que mais me fascinaram, em especial a que ficava em frente o estúdio onde
me hospedei e podia vê-la da minha janela, a cada hora cheia o sino badala o número de vezes respectivas ao horário, mas antes de ele anunciar a hora, toca uma linda música que parece o som de uma caixinha de música, daquelas que tem uma bailarina girando. Nessa hora é impossível não dançar, nem que seja balançando os pezinhos ou a cabeça. <3

A noite de Amsterdam é um espetáculo de luzes, diversidade e diversão. Uma amiga que conheci lá da última vez me levou em um Pub onde um Dj e um saxofonista tocam juntos o mesmo som, um verdadeiro espetáculo que impossibilita qualquer um de ficar parado.


Além de apreciar os sons dessa linda cidade, vagar sem rumo pelas ruazinhas cercadas de canais com
meu amor, sair pra dançar a noite e encontrar uma querida amiga, tive o prazer de fazer um workshop de Tribal Fusion com uma linda bailarina holandesa criada em Portugal, a Winde Mertens, que durante algumas horas me ensinou fundamentos que levarei pra toda minha vida e que sigo praticando, principalmente a saudação ao sol do ioga que além de tudo é um ótimo alongamento e preparação pra qualquer bailarina.


No último dia de Amsterdam tive a honra de me apresentar em um restaurante oriental onde se apresentam bailarinas renomadas da Holanda, entre elas a Amarah Ates e Mischa,  que infelizmente não tive o prazer de conhecê-las pessoalmente ainda pois estão de férias após uma longa temporada de verão, mas que espero poder voltar e trocar experiências com todas.
(Apresentação no Nomads em Amsterdam)  

Por fim me despedi já com muita saudade dessa cidade maravilhosa, que ainda tenho como a preferida entre as que conheci na Europa, mas muito feliz por ter realizado um sonho de  me apresentar em outro País que não o meu, de ter aprendido mais um pouco e poder sair com  a sensação de dever mais que cumprido. De malas prontas fui realizar mais alguns sonhos. <3




terça-feira, 3 de setembro de 2013

O Jeito Isadora Duncan de Dançar.



No último fim de semana fiz um curso de formação para educadores em dança realizado pela Escola Contemporânea de Dança de Salvador em parceria com o governo do Estado da Bahia. Ministrado pelas professoras Fátima Suarez, Estela Serrano e Rita Lagrota.

Quando fiz a minha inscrição no mês passado e soube que o curso teria a carga horária de 24 horas fiquei super animada, e como já participei de outros cursos da FUNDEB aqui em Porto Seguro e não foram lá essas coisas em relação a temas, professores e o nível dos participantes, confesso que o que mais me animou mesmo foi o certificado de 24 horas que eu receberia com a conclusão do curso, pois seriam horas consideráveis para meu currículo e para o a material que estou juntando para tirar meu sonhado DRT de dança.
Finalmente chegou o primeiro dia do curso, 30 de agosto e lá estava eu as 10 horas da manhã no Centro de Cultura de Porto Seguro com alguns conhecidos que estavam presentes entre outras pessoas que eu nunca tinha visto na vida, pude notar que não haviam só professores inscritos, mas alunos de professores, dançarinos de barraca de praia e até mesmo pessoas que tinham tido um mínimo contato com a dança. Já fiquei desanimada. Mas também haviam outros professores de dança do ventre, ballet, jazz e das mais diversas modalidades, haviam também ótimos bailarinos então resolvi deixar o preconceito de lado (afinal, quem era eu  para julgar o desempenho e a gana de alguém) e me joguei de cabeça no curso. Eis que fui surpreendida.

As professoras vestiam túnicas transparentes que me lembravam deusas gregas, fadas, mulheres pagãs do tempo matriarcal, o que me deixou muito encantada, pois também sou muito chegada a "dançar em volta da fogueira" (hihihi). Começamos com  um exercício para nos conhecermos e tudo envolvia rítmo e dança, logo notei um nível técnico e didático altíssimo e muito eficiente.
Todo exercício envolvia completamente os participantes, tratavam de energia, natureza, tato, respiração, sensações, ritmos. Tudo que nos ensinavam era voltado a desenvolver a criatividade e o senso crítico, a experimentação e a liberdade dos movimentos. Trabalhavamos por vezez sozinhos, em duplas, trios em grupos.
Nos deram três textos para estudarmos, um deles eram NOTAS SOBRE EXPERIÊNCIA E O SABER DE EXPERIÊNCIA que se tratava da importância das experiências no processo do conhecimento, da educação e da criação.  O conhecimento empírico. São as experiências que vivemos no dia a dia que nos fornecem material para que possamos desenvolver o processo criativo que consiste na memória dessas experiências, na associoação das mesmas, no simbolizar, materializar, no reconhecimento de um potencial criativo e por fim na tensão psiquica que nos desafia a criar algo.

As professoras sempre mencionavam e aplicavam o método da Isadora Duncan, que foi uma bailarina americana que viveu entre o século XVIII e XIX. Ela desafiou todos os conceitos da dança clássica na época e é considerada a mãe da dança moderna. Causou polêmica ao ignorar todas as técnicas do Balé Clássico. Sua dança foi inspirada pelas figuras das dançarinas nos vasos gregos. Sua proposta de dança era algo completamente diferente do usual, com movimentos improvisados, inspirados também nos movimentos da natureza: vento, plantas, mar, entre outros. Os cabelos meio soltos e os pés descalços também faziam parte da personalidade profissional da dançarina. Sua vestimenta era leve, eram túnicas, assim como as das figuras dos vasos gregos. O cenário simples, era composto apenas por uma cortina azul. Outro ponto forte na dança de Isadora é que ela utilizava músicas até então tidas apenas como para apreciação auditiva. Ela dançava ao som de Chopin e Wagner e a expressividade pessoal e improvisação estavam sempre presentes no seu estilo.
Entre as famosas frases da bailarinas, tenho suas preferidas que traduzem muito seu estilo:





" Você já foi selvagem aqui uma vez. Não deixe que lhe domem."


"O corpo do bailarino é apenas uma manifestação luminosa da alma".






Posso dizer que esse curso mudou muito a minha forma de pensar como bailarina, professora e coreógrafa e apesar da dança do ventre obedecer preceitos e técnicas milenares, há muito o que beber dessa fonte, principelmente se formos partir do princípio que é uma dança milenar que se dançava para agradecer aos deuses pela fertilidade tanto da mulher quanto da colheita, pela abundância e para a natureza. Acho que em todas as modalidades esse ensinamento cabe e muito, ainda mais se tratando de processo criativo e "método de ensino". Como fazer para que seus alunos aprendam a técnica mas ao mesmo tempo desenvolvam seu estilo pessoal, sua capacidade de improvização, sua criatividade para criar e não apenas copiar seus movimentos.

Acho que no fundo eu já sabia disso tudo, ou quase tudo, a realidade é exatamente o exercício da memória, nós somos seres ancestrais que possuímos uma memória corporal podada por conceitos, preconceitos, pela cultura ocidental escravocrata que nos ditou padrões puritanos e repletos de pudor. O que precisamos é resgatar essa corpo-bio-grafia ancestral e deixá-la fluir em nossos processos criativos e em nossas performances.
A conclusão que tive sobre o curso é absolutamente positiva, acho que todos que estavam lá, mesmo os que não são professores contribuíram de alguma forma para o todo. Trabalhamos em 24 horas solos, duos e coreografias em grupo que resultaram em um belo espetáculo ao final do curso que emocionou a todos. Isso tudo provou para cada um de nós participantes que se fomos capazes disso em 24 horas, em uma criação totalmente crua e imatura, seremos capazes de muito mais em um processo completo e definido.
Só tenho que agradecer a oportunidade de ter participado de um curso tão engrandecedor.



          ( Final da apresentação de conclusão do curso de formação para educadores em dança.)