quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Bellyfitness - A União Perfeita da Ginástica e Dança do Ventre



Há pouco mais de um mês, tive o prazer e a honra de fazer parte da primeira turma formada em Bellyfitness por sua idealizadora e criadora Bruna Nassif, uma talentosa bailarina, professora e coreógrafa que recentemente integrou o time de profissionais com padrão de qualidade Khan el Khalili.
Soube dessa nova modalidade durante o evento organizado por Lulu from Brazil na Shangrilá House, o Mosaico Brasil - Egito que contou com ótimos workshops, incluindo o da Bruna. Infelizmente  eu não pude ir no Mosaico, então continuei pesquisando sobre o Bellyfitness e fiquei cada dia mais encantada com o método, até que tive a oportunidade de fazer o curso em SP e desde então trouxe o bellyfitness para minhas aulas e para minha vida.

(Primeira Tuma Formada em Bellyfitness em SP na Shangrilá House)

Quando comecei a pesquisar sobre o Bellyfitness encontrei muitos vídeos internacionais no you tube sobre aulas que se denominavam como tal, e percebi que era apenas uma aula de dança do ventre mais paulera, e pensei: "é só isso?".
Não! Não o Bellyfitness idealizado, desenvolvido e registrado por Bruna Nassif, esse eu tive o prazer de conhecer e me formar e percebi que é muito mais do que uma aula de Dança do Ventre mais "puxada", é todo um trabalho minucioso de preparação física para bailarinas do ventre.
A Bruna Nassif além de uma excelente profissional da Dança Oriental, é também uma estudante de Educação Física que durante seu curso desenvolveu essa nova técnica. Mas o que é o Bellyfitness afinal?

O Bellyfitness consiste na preparação física de bailarinas de dança oriental, buscando trazer qualidade de vida e saúde, utilizando a dança de forma aplicada ao condicionamento físico.
É ideal para praticantes de dança oriental, que não possuem afinidade com academias convencionais. Sabemos que uma vida saudável está ligada diretamente à prática de atividade física, dieta saudável, dentre outros. Sabe-se que somente a dança do ventre, seja 1 ou 2 vezes por semana ainda é insuficiente se tratando de atividade física, ou mesmo seu excesso sem preparo físico adequado pode trazer sérias consequencias no futuro. 
Nas aulas de Bellyfitness desenvolve-se a resistencia cardiovascular, tonifica a musculatura, ativa a percepção, coordenação motora e agilidade. O diferencial é a mistura perfeita entre o treinamento aeróbico, a dança do ventre e o treinamento funcional.
Todas as aulas são minuciosamente  preparadas, acoplando elementos típicos da dança do ventre como véus, bastão e espada aos treinamentos.
É indicado para todos os públicos, desde que tenha autorização médica para a prática de atividade física.

Há duas semanas inaugurei minha primeira turma de Bellyfitness em Arraial d Ajuda e já tenho notado uma diferença na minha performance em relação a força e resistência. Como me apresento toda semana e ministro aulas regulares de Dança do Ventre, tenho notado maior facilidade para executar movimentos que exigem força, equilíbrio e também mais resistência durante as aulas e performances, apesar de ter aumentado em dobro a carga horária de aulas, me sinto mais disposta e menos cansada.
Como aqui em Arraial não tem muitas bailarinas do ventre e o Bellyfitness ainda está sendo difundido e aceito no meio oriental aos poucos, meu público maior são mulheres que nunca praticaram dança do ventre mas que querem unir uma ginástica funcional, dinâmica e divertida ao mesmo tempo e principalmente que não perca a feminilidade. O Bellyfitness tem todo o poder e funcionalidade da ginástica aeróbica e localizada sem perder o charme e a beleza da dança do ventre. Aliamos passos básicos da dança oriental como ondulações, batidas, passos folclóricos, etc; movimentos aeróbicos que tornam a aula mais empolgante e enérgica, treinamento funcional com aparelhos específicos de ginástica (bola, elásticos, pesos, caneleiras) e instrumentos da dança oriental  (bastão, espada, véus), tornando o bellyfitness uma modalidade totalmente inovadora.
Recomendo a todos que como eu não passam da terceira semana na musculação a experimentarem o Bellyfitness, pois é realmente a forma de perder peso, tonificar e enrijecer mais divertida e feminina que já provei.

(Aula Inaugural de Bellyfitness na academia Pro Fit em Arraial d Ajuda).

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Moulin Rouge - Paris qui Danse


Olá amantes da dança, da arte e também das viagens, depois de um mês rodando parte do mundo, cheguei ao nosso amado Brasil. A viagem acabou mas as experiências, os conhecimentos, as imagens, cheiros, sabores e amores... ahh! Esses vão ficar para sempre e eu vou compartilhar mais um pouco com vocês.

PARIS, como começar a falar de Paris?

"Paris nunca desilude, cidade histórica desenhada as margens do Sena, foi palco de grandes revoluções que marcaram a história do mundo. Ao mesmo tempo guarda segredos da arte, cultura, religião, gastronomia e moda, que só o visitante mais apaixonado consegue desvendar."

Em 2011 tive o privilégio de ir a Paris pela  primeira vez, era um dos meus maiores sonhos conhecer a cidade e sua grandiosa Torre Eiffel, e foi como um sonho bom, breve e surpreendente, emocionante, daqueles sonhos que acordamos com vontade de voltar pra ele.
Quando encarei a Eiffel pela primeira vez, o céu estava num tom cinza sombrio de uma tarde de outono, algumas gotas caíam do céu e também dos meus olhos, sozinha diante daquela grandiosidade, não pude conter a emoção.

(Paris - Outubro/2011)

Esse ano quando programamos a viagem, meu namorado e eu incluímos a Cidade Luz no roteiro. Agora muito bem acompanhada,( <3 ) pude ver Paris com olhos veteranos e mais acostumados a arquitetura grandiosa européia, menos deslumbrados mas não menos curiosos, Paris guarda belos segredos em demasia para ser desvendada em apenas duas visitas.




Tive o privilégio de ver a torre iluminada. Uma coisa é você ir a Paris e visitar a Torre Eiffel, outra coisa é você subir até o topo dela ao entardecer, ver a noite cair sobre a cidade mais apaixonante do mundo, ver as luzes se acenderem, vibrar com as luzes piscantes que a cada hora cheia fazem os arredores da torre vibrar em um grito uníssono de quem está assiste o seu espetáculo, como o brilho da lua no rio Sena, como um shimmie feito pela bailarina mais graciosa e habilidosa, a torre vibra em cores e fornece um espetáculo hipnótico noite a dentro.



O GRANDE  MOÍNHO VERMELHO

E como não mencionar o lendário Moulin Rouge, construído em 1889 por Josep Oller na zona de Pigalle, ao pé de Montmartre, é um símbolo emblemático da noite parisiense e possui uma rica história ligada a bohemia da cidade.



O Verdadeiro Moulin Rouge da Belle Époque:

"A despreocupação pela vida e a alegria de viver são as duas características que melhor resumem este período único na História da França. Foi um período de descanso entre duas guerras e um período de transição entre dois séculos: um período, no qual as barreiras sociais desapareceram, a revolução cultural dá esperança numa vida melhor para todos e uma rica profusão cultural que prometia bastante divertimento. A classe média misturava-se com a classe operária, e a cultura popular encontrava-se no seu auge. Nesta atmosfera, que favoreceu a criatividade artística, os círculos literários apareciam e desapareciam conforme as reuniões dos escritores, enquanto pintores e desenhadores foram especialmente inspirados por esta atmosfera alegre, por vezes, ultrajante, mas luxuosa e extravagante, que rompeu por completo com o classicismo rígido deste período.
Foi nesta época que o mundo se alterou: na arquitectura, Gustave Eiffel, um génio da arquitectura do ferro, deu início à construção da Torre Eiffel que poderia ser vista de qualquer sítio em Paris. Esta era a atracção principal da Exposição Universal de 1889.



No meio de toda a agitação, Montmartre aparecia como um local simbólico. Em 1891, a Basílica de Notre-Dame do Sagrado Coração é inaugurada com pompa e circunstância. Era esperado que com a Basílica no topo da colina, se trouxesse de volta um pouco de prestígio àquele local mal frequentado. Porém, contra todas as expectativas, a proximidade daquele local sagrado com as encostas que se assemelhavam ao Inferno, apenas deram mais carácter àquela Meca da vida parisiense. Excêntricos e artistas continuaram a frequentar os cabarés, teatros de variedades e cafés em grande número, enquanto a classe média, aristocratas e semi-mundanos, que se sentiam cada vez mais atraídos pela vida nocturna, também se habituaram a frequentar esses locais. Os cafés-concerto tornaram-se o verdadeiro símbolo desta mistura de culturas e de estratos sociais. Operários, artistas, elementos da classe média e aristocratas juntavam-se na mesma mesa, num ambiente de divertimento, luxo, festim e frivolidade.
Entre estes cabarés, alguns tornaram-se famosos: o "Chat Noir" com os seus cenários de luxo, criados por Caran d'Ache, o "Mirliton", o "Folies-Bergères", o "Moulin Rouge"... Nestes, o público vinha para ouvir as músicas anti-convenções de Aristide Bruand, assistir ao universo de luxuria, prostituição, excentricidade e onde os desempregados e a classe baixa conviviam com os outros estratos da sociedade.

A 6 de Outubro de 1889, em Montmartre, a atmosfera era festiva: no jardim de Paris é inaugurado o mais famoso cabaré de sempre - o "Moulin Rouge".

O público acorreu em massa à "Place Blanche" para descobrir este sítio extravagante com uma enorme pista de dança, espelhos por todo o lado, galerias, que eram a última palavra em elegância que se misturava com a ralé da sociedade e com as raparigas de vida fácil, um jardim decorado com um grande elefante e passeios em burros para a satisfação das senhoras. A atmosfera era de tal modo selvagem que o espectáculo não acontecia somente em palco, mas por toda a parte: aristocratas e operários divertiam-se lado a lado, numa euforia geral.

Os donos do lugar eram Joseph Oller e Charles Zidler. Eles apelidaram o seu estabelecimento de "Le Premier Palais des Femmes" (o primeiro palácio de mulheres) e apostaram no seu sucesso, anunciando a quem os quisessem ouvir, que o "Moulin Rouge" se tornaria no mais esplêndido templo de música e de dança. No primeiro dia, as suas expectativas foram superadas: os outros cabarés, cafés e teatros de diversões tiveram de se comportar e render-se à magnificiência do "Moulin Rouge".


Os bailes do "Moulin Rouge" depressa se tornaram apreciados por todos. Nestes, o público descobriu, com grande entusiasmo, uma nova dança: o can-can francês, com as suas dançarinas - as "Chahuteuses" (as raparigas indisciplinadas) e o seu ritmo barulhento, o qual, para grande desgosto de algumas pessoas, fez mesmo rodar as cabeças. No Guia para as Noites de Paris edição de 1898, o can-can francês era descrito como um exército de jovens raparigas de Paris, que dançavam esta barulheira divina, da maneira que a sua fama lhes exigia, assim como a sua flexibilidade com a moral... (Entre as figuras que mais tarde viriam a ser guardadas para a posteridade, de destacar, uma vez mais, o famoso "La Goulue" de Toulouse-Lautrec.) Foi em 1861, em Londres, quando Charles Morton, inspirado pela Quadrilha, de Céleste Mogador, inventou o can-can. Enquanto os britânicos se continuavam a chocar com esta dança, no limiar da decência, em Paris, a popularidade do can-can continuava a crescer. O can-can estava a ser moldado progressivamente, até que se tornou uma dança ritualizada, exclusiva para mulheres, que mediam pelo menos 1,70m e se vestiam e mexiam de forma graciosa, mostrando a sua arte perante os olhos do público do "Moulin Rouge".



A dança que influenciou o can-can foi inventada em 1850, por Céleste Mogador: a quadrilha - oito minutos de tirar o fôlego em perfeita harmonia, com Offenbach como mestre da Música,
Sob nomes de palco coloridos e frequentemente chocante, as mais famosas dançarinas daquele tempo competiam no cenário do "Moulin Rouge", cada uma com o seu próprio temperamento. A maior figura do can-can francês é, ainda hoje, a famosa Goulue, com o seu inigualável humor descarado. Mas ela não foi a única a ganhar fama graças ao can-can: Jane Avril, mais conhecida por Jeanne, La Folle (Jeanne, a louca), La Môme Fromage, chamada assim por ser tão jovem, Grille d'Egoût, conhecida pelo seu gosto pelo barulho, Nini Pattes-en-l'air (com as pernas no ar) que viria a abrir uma escola de can-can francês, e Yvette Guilbert, foram algumas das dançarinas que se evidenciaram no "Moulin Rouge".
Os primeiros 10 anos do "Moulin Rouge" levaram sucessivamente a noites cada vez mais extravagantes, inspiradas nos circos, cujas atracções eram mostradas no cabaré - tais como o Homem dos "gases" - permaneceram para sempre nos anais da História.


Um início triunfal, mas que perdeu alguma da sua pompa ao virar do século. A 26 de Dezembro de 1902, o último baile teve lugar numa indiferença geral. A Quadrilha já não era fascinante, e o baile do "Moulin Rouge" tornou-se um teatro-concerto sob a liderança de M. Paul-Louis Flers, um conhecido director de teatro de Paris, que queria tornar o "Moulin Rouge" num lugar mais prestigiado. Dirigiu o famoso cabaré por... 9 meses.



Após a 1ª Guerra Mundial, Francis Salabert dirigiu o "Moulin Rouge". Uma vez que ele era mais um homem de negócios, do que um homem de espectáculos, encarregou Pierre Foucret de cuidar da parte financeira e deixou a Jacques-Charles - o director de teatro número 1 daquele tempo - a tarefa de embelezar a grande Revista. Ele sonhou em montar um espectáculo com dançarinas americanas. Após muitos acontecimentos, ele conseguiu convencer Gertrude Hoffmann, então directora do "Hoffmann Ballet", a juntar-se a ele e juntos criaram a revista "Nova Iorque - Montmartre".
No topo da lista estavam as irmãs Dolly, Rosy e Jenny, as primeiras irmãs gémeas na História dos musicais. O estilo da Broadway foi visível quando eles entraram nos cenários parisienses. Na noite do primeiro espectáculo, Mistinguett, que era conhecida como a Rainha dos Musicais, estava na plateia. Ela compreendeu que uma verdadeira revolução estava a acontecer.


Jacques-Charles e Mistinguett tinham uma relação tempestuosa, mas bastante proveitosa... Muito próximos entre si nas suas vidas, colegas inspirados no palco, a sua história foi pontuada por querelas e reuniões, com zangas e reconciliações... Uma paixão turbulenta que deu origem a criações lendárias: a "Revue Mistinguett" em 1925, o famoso "Ça c'est Paris" em 1926 e outras grandes noites com a Miss e as suas raparigas, que animaram as notes parisienses até 1929, data em que eles se retiraram de cena. Entretanto, o can-can francês ganhou, novamente, prestígio. Uma certa Gesmar, de apenas 20 anos de idade, tornou-se uma "expert" na concepção dos fatos. Os seus desenhos e modelos, que revelavam beleza pura de cortar o fôlego, sempre permaneceram associados à imagem do "Moulin Rouge". Ao mesmo tempo, um jovem chamado Gabin, estreava-se em cena como um "badboy" em Paris.

Depois da partida de Mistinguett, tudo se alterou. O cinema (a 7ª Arte) tomou conta dos cabarés e o "Moulin Rouge" não foi excepção. Contudo, o "Moulin Rouge" continuava a ter grandes momentos de actividade: o "Cotton Club", as noites de "Ray Ventura and His Collegiens", alguns momentos inesquecíveis antes dos anos negros que se seguiriam.



De 1939 a 1945, Paris não tinha muito divertimento sob o domínio alemão. O único momento de destaque teve lugar alguns dias antes da libertação de Paris, com Edith Piaf, cujo talento havia sido reconhecido, a cantar no palco do "Moulin Rouge". Na primeira parte do seu espectáculo, actuará um jovem, vestido de cowboy: Yves Montand. Entre eles havia então uma troca de palavras menos agradáveis...

Houve que esperar seis anos depois do fim da 2ª Guerra Mundial, até que o "Moulin Rouge" recuperasse a sua antiga magnificência.
A 22 de Junho de 1951, Georges France (Jo France), comprou o salão de baile do "Moulin Rouge" e empreendeu grandes obras de modo a conceder ao famoso cabaré o seu esplendor de tempos atrás e ganhar o prestígio das noites de Paris de antigamente.
Festas de dança, entretenimentos e recepções para a caridade estavam de volta... Entre eles, o 25º "Bal des Petits Lits Blancs" (para crianças hospitalizadas), a 19 de Maio de 1963, foi um marco na história do "Moulin Rouge": cerca de 1200 artistas e estrelas vieram de todos os cantos do mundo, para honrar Guy des Cars, o organizador da noite.


Em 1955, Joseph e Louis Clérico tornaram-se os dirigentes do estabelecimento e estavam ávidos de continuar a grande tradição dos Bailes populares. Juntaram-se a Jean Bauchet, um nome mítico do teatro, para acompanhar o cabaré a entrar na Idade Moderna.
Uma pequena revolução teve lugar no cabaré: uma cozinha foi construída. Os jantares-espectáculo do "Moulin Rouge" tornaram-se uma das mais procuradas atracções parisienses. A sua fama voltou a aumentar. De todos os cantos do Mundo, as pessoas chegavam para ver o "Moulin Rouge", como se fosse um dos grandes monumentos da mais bela capital do mundo.
Novas estrelas evidenciaram-se no "Moulin Rouge": Charles Trenet, Charles Aznavour, Lire Renaud, Bourvil, Roger Pierre e Jean-Marc Thibault, Fernand Raynaud... entre outros. O próprio Elvis Presley, quando vinha a Paris não dispensava uma ida ao "Moulin Rouge".

A famosa quadrilha, então pela liderança da exigente Doris Haug voltou aos corações das pessoas.
Em 1962, Jacki Clérico, filho de Joseph Clérico, sucedeu ao seu pai na liderança do mais famoso cabaré do mundo. O "Moulin Rouge" voltou a ganhar o seu lugar lendário. Dois anos depois da sua chegada ao "Moulin Rouge", Jacki embarcou numa nova aventura: a construção de um aquário gigante, onde dançarinas nuas se moveriam como maravilhosas náiades, perante os olhos deliciados da plateia.

Escolheu apenas nomes começados por "F" para as suas revistas: Frou Frou, Frissoon, Fascination, Fantastic, Frénésie... Cada uma sucedendo a outra, até culminar na memorável Formidable, a revista do centenário, pela qual, ainda hoje, o público se mostra entusiasmado.
Estrelas do mundo do espectáculo, música, cinema, famílias reais, grandes magnatas... todos se reuniram na Place Blanche a 12 de Fevereiro de 1988 para celebrar 100 anos desta instituição venerável inteiramente dedicada ao luxo, festa e prazer...
E até hoje assim se mantém... a lenda do Moulin Rouge."


Referências: http://moulinrouge.planetaclix.pt/filme/moulin_rouge.htm 





Paris - Outono de 2011:



(Rio Sena)

(Fonte na Praça da Concórdia)



(Jardim das Tulherias)





Paris - Outono de 2013 

(Moulin Rouge)

                                                                     (Moulin Rouge)
Eiffel
(De corpo e alma! :)




quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Viagem pelo Mundo da Dança: Amsterdam, Cidade Rítmica


Pensaram que eu tinha abandonado meu blog né? Nananinanão!!! O que acontece é que eu estou no meio de uma maravilhosa EUROTRIP e realmente estava muito difícil parar pra contar tudo que está acontecendo por aqui. Mas hoje resolvi tirar um dia de "folga" dos centros turísticos, paisagens maravilhosas, culturas incríveis entre outras coisas e dar uma cuidada de mim e do meu blog.
Bom, essa viagem que durará exatamente um mês não teve o principal foco na dança, mas como eu não  consigo ficar sem bailar tanto tempo assim, claro que estou aproveitando para adquirir experiências e trocar figurinhas por onde passar.

Primeira parada da TRIP: Amsterdam - Holanda, segunda vez que venho a este País e essa cidade encantadora. Meu namorado e eu reservamos um estúdio em uma região central, pertinho de tudo (em Amsterdam, dependendo do lugar que você se hospeda da pra fazer tudo a pé ou de bicicleta), o estúdio fica em frente uma linda catedral e da famosa casa Anne Frank* (onde se escondeu uma jovem judia que escreveu um diário durante o holocausto e contou seu dia-a-dia no período do regime nazista. Anne Frank tinha uma maturidade incrível para sua idade e época, sobretudo pelo momento em que passava, ela escrevia suas concepções sobre o mundo. Seu diário foi encontrado e publicado depois que ela e toda sua família, assim como centenas de judeus, foram executados pelo ditador Hitler. )=


Logo que cheguei em Amsterdam fui tomada por uma nostalgia incrível, pois estive lá há dois anos atrás. Porém minha cabeça na época, estava com outro foco, outros planos e talvez isso não tivesse me feito perceber tão claramente que a cidade era tão ritmica, musical e dançante.
As vezes pensamos em sons, em ritmos apenas quando ouvimos músicas hamônicas, com diversos instrumentos sincronizados e uma linda voz interpretando, mas não. De um tempo pra cá, eu aprendi a ouvir outros tipos de músicas, outros ritmos,  os sons da natureza, das cidades, os sons da noite e até os barulhinhos do silêncio.

Amsterdam durante o dia é uma linda loucura de imagens e sons que formam um verdadeiro
espetáculo, as construções antigas que antes eram depósitos que abrigavam os produtos produzidos por lá afim de serem escoados através dos canais para o porto de Rotterdam, são um charme a parte, por ter um solo muito instável devido aos canais que cruzam quase toda a Holanda, muitos dos prédios são tortinhos, inclinados para um lado, para o outro ou para frente, dando a impressão que podem cair a qualquer momento, muitos possuem flores em todas as janelas. Aliás, há flores por todos os lados, nas ruas, nos canais, nas bancas e nas cestinhas de bicicletas e tem até mesmo um mercado apenas para elas, o Mercado das Flores onde se encontra flores e sementes de inúmeras espécies de lá. Nos canais muitos barcos circulando, o que apelidou Amsterdam como a Veneza Holandesa. Barcos vem e vão em uma eterna dança. Nas ruas muitas bicicletas, trans, ônibus e carros, (tem que se ter muito cuidado ao atravessar as ruas e sempre respeitar os sinais e as faixas de pedestres, os holandeses respeitam muito e lá as bicicletas são prioridades até mais que os pedestres.)
As buzinas das bicicletas, dos trans entre outros veículos, o trotar dos cavalos nas charretes, o violino de um artista de rua, o fole de outro, as conversas nas ruas, esquinas, bares e coffees, em todos os idiomas que se pode imaginar, os sinos das igrejas, formam uma linda música, encantadora e se você parar pra ouvir consegue distinguir cada som.
Os sons das igrejas são o que mais me fascinaram, em especial a que ficava em frente o estúdio onde
me hospedei e podia vê-la da minha janela, a cada hora cheia o sino badala o número de vezes respectivas ao horário, mas antes de ele anunciar a hora, toca uma linda música que parece o som de uma caixinha de música, daquelas que tem uma bailarina girando. Nessa hora é impossível não dançar, nem que seja balançando os pezinhos ou a cabeça. <3

A noite de Amsterdam é um espetáculo de luzes, diversidade e diversão. Uma amiga que conheci lá da última vez me levou em um Pub onde um Dj e um saxofonista tocam juntos o mesmo som, um verdadeiro espetáculo que impossibilita qualquer um de ficar parado.


Além de apreciar os sons dessa linda cidade, vagar sem rumo pelas ruazinhas cercadas de canais com
meu amor, sair pra dançar a noite e encontrar uma querida amiga, tive o prazer de fazer um workshop de Tribal Fusion com uma linda bailarina holandesa criada em Portugal, a Winde Mertens, que durante algumas horas me ensinou fundamentos que levarei pra toda minha vida e que sigo praticando, principalmente a saudação ao sol do ioga que além de tudo é um ótimo alongamento e preparação pra qualquer bailarina.


No último dia de Amsterdam tive a honra de me apresentar em um restaurante oriental onde se apresentam bailarinas renomadas da Holanda, entre elas a Amarah Ates e Mischa,  que infelizmente não tive o prazer de conhecê-las pessoalmente ainda pois estão de férias após uma longa temporada de verão, mas que espero poder voltar e trocar experiências com todas.
(Apresentação no Nomads em Amsterdam)  

Por fim me despedi já com muita saudade dessa cidade maravilhosa, que ainda tenho como a preferida entre as que conheci na Europa, mas muito feliz por ter realizado um sonho de  me apresentar em outro País que não o meu, de ter aprendido mais um pouco e poder sair com  a sensação de dever mais que cumprido. De malas prontas fui realizar mais alguns sonhos. <3




terça-feira, 3 de setembro de 2013

O Jeito Isadora Duncan de Dançar.



No último fim de semana fiz um curso de formação para educadores em dança realizado pela Escola Contemporânea de Dança de Salvador em parceria com o governo do Estado da Bahia. Ministrado pelas professoras Fátima Suarez, Estela Serrano e Rita Lagrota.

Quando fiz a minha inscrição no mês passado e soube que o curso teria a carga horária de 24 horas fiquei super animada, e como já participei de outros cursos da FUNDEB aqui em Porto Seguro e não foram lá essas coisas em relação a temas, professores e o nível dos participantes, confesso que o que mais me animou mesmo foi o certificado de 24 horas que eu receberia com a conclusão do curso, pois seriam horas consideráveis para meu currículo e para o a material que estou juntando para tirar meu sonhado DRT de dança.
Finalmente chegou o primeiro dia do curso, 30 de agosto e lá estava eu as 10 horas da manhã no Centro de Cultura de Porto Seguro com alguns conhecidos que estavam presentes entre outras pessoas que eu nunca tinha visto na vida, pude notar que não haviam só professores inscritos, mas alunos de professores, dançarinos de barraca de praia e até mesmo pessoas que tinham tido um mínimo contato com a dança. Já fiquei desanimada. Mas também haviam outros professores de dança do ventre, ballet, jazz e das mais diversas modalidades, haviam também ótimos bailarinos então resolvi deixar o preconceito de lado (afinal, quem era eu  para julgar o desempenho e a gana de alguém) e me joguei de cabeça no curso. Eis que fui surpreendida.

As professoras vestiam túnicas transparentes que me lembravam deusas gregas, fadas, mulheres pagãs do tempo matriarcal, o que me deixou muito encantada, pois também sou muito chegada a "dançar em volta da fogueira" (hihihi). Começamos com  um exercício para nos conhecermos e tudo envolvia rítmo e dança, logo notei um nível técnico e didático altíssimo e muito eficiente.
Todo exercício envolvia completamente os participantes, tratavam de energia, natureza, tato, respiração, sensações, ritmos. Tudo que nos ensinavam era voltado a desenvolver a criatividade e o senso crítico, a experimentação e a liberdade dos movimentos. Trabalhavamos por vezez sozinhos, em duplas, trios em grupos.
Nos deram três textos para estudarmos, um deles eram NOTAS SOBRE EXPERIÊNCIA E O SABER DE EXPERIÊNCIA que se tratava da importância das experiências no processo do conhecimento, da educação e da criação.  O conhecimento empírico. São as experiências que vivemos no dia a dia que nos fornecem material para que possamos desenvolver o processo criativo que consiste na memória dessas experiências, na associoação das mesmas, no simbolizar, materializar, no reconhecimento de um potencial criativo e por fim na tensão psiquica que nos desafia a criar algo.

As professoras sempre mencionavam e aplicavam o método da Isadora Duncan, que foi uma bailarina americana que viveu entre o século XVIII e XIX. Ela desafiou todos os conceitos da dança clássica na época e é considerada a mãe da dança moderna. Causou polêmica ao ignorar todas as técnicas do Balé Clássico. Sua dança foi inspirada pelas figuras das dançarinas nos vasos gregos. Sua proposta de dança era algo completamente diferente do usual, com movimentos improvisados, inspirados também nos movimentos da natureza: vento, plantas, mar, entre outros. Os cabelos meio soltos e os pés descalços também faziam parte da personalidade profissional da dançarina. Sua vestimenta era leve, eram túnicas, assim como as das figuras dos vasos gregos. O cenário simples, era composto apenas por uma cortina azul. Outro ponto forte na dança de Isadora é que ela utilizava músicas até então tidas apenas como para apreciação auditiva. Ela dançava ao som de Chopin e Wagner e a expressividade pessoal e improvisação estavam sempre presentes no seu estilo.
Entre as famosas frases da bailarinas, tenho suas preferidas que traduzem muito seu estilo:





" Você já foi selvagem aqui uma vez. Não deixe que lhe domem."


"O corpo do bailarino é apenas uma manifestação luminosa da alma".






Posso dizer que esse curso mudou muito a minha forma de pensar como bailarina, professora e coreógrafa e apesar da dança do ventre obedecer preceitos e técnicas milenares, há muito o que beber dessa fonte, principelmente se formos partir do princípio que é uma dança milenar que se dançava para agradecer aos deuses pela fertilidade tanto da mulher quanto da colheita, pela abundância e para a natureza. Acho que em todas as modalidades esse ensinamento cabe e muito, ainda mais se tratando de processo criativo e "método de ensino". Como fazer para que seus alunos aprendam a técnica mas ao mesmo tempo desenvolvam seu estilo pessoal, sua capacidade de improvização, sua criatividade para criar e não apenas copiar seus movimentos.

Acho que no fundo eu já sabia disso tudo, ou quase tudo, a realidade é exatamente o exercício da memória, nós somos seres ancestrais que possuímos uma memória corporal podada por conceitos, preconceitos, pela cultura ocidental escravocrata que nos ditou padrões puritanos e repletos de pudor. O que precisamos é resgatar essa corpo-bio-grafia ancestral e deixá-la fluir em nossos processos criativos e em nossas performances.
A conclusão que tive sobre o curso é absolutamente positiva, acho que todos que estavam lá, mesmo os que não são professores contribuíram de alguma forma para o todo. Trabalhamos em 24 horas solos, duos e coreografias em grupo que resultaram em um belo espetáculo ao final do curso que emocionou a todos. Isso tudo provou para cada um de nós participantes que se fomos capazes disso em 24 horas, em uma criação totalmente crua e imatura, seremos capazes de muito mais em um processo completo e definido.
Só tenho que agradecer a oportunidade de ter participado de um curso tão engrandecedor.



          ( Final da apresentação de conclusão do curso de formação para educadores em dança.)

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O Segredo da Felicidade: Fazer o que se Ama



Cresci em uma familia tradicional de minas, de classe média alta, estudando em escolas particulares, com tios médicos, dentistas e advogados e alguns "porra loucas" ou "porra nenhuma". E é exatamente isso que esperavam de nós a nova geração: que nos tornássemos os médicos, dentistas e advogados de hoje e de jeito nenhum seguissemos o caminho dos tios tortos, que para meus avós estavam fadados a serem infelizes pra sempre.
Acontece que minha mãe era uma das tias "porra louca" da família e aos 29 anos, com uma filha de 13 (euzinha aqui) e um filho de 1 ano partiu pra Arraial d Ajuda, vilarejo do sul da Bahia em busca de liberdade e felicidade de verdade. Eu que era acostumada com os mimos da avó, escolas boas, empregada e tudo mais tive que dar adeus a vida mansa e correr com minha mãe atrás de um longo e batalhado sonho: de conquistar nossa vida sem depender deles, os caretas da família e de forma que realmente nos tornaria felizes. Minha mãe sempre possuiu uma habilidade manual incrível que eu sempre invejei, e uma criatividade que graças a Deus eu herdei, então tudo que fosse artezanal, costura, pintura, bordado a minha mãe faz e aqui na Bahia, durante 10 anos ela costurou, pintou e bordou o seu sonho até conseguirmos comprar nossa casa própria e criar seus quatro filhos com qualidade de vida. Claro que como toda família que batalha o pão de cada dia as vezes rola um aperto daqui e de lá, mas vivemos feliz e o mais importante ela passou pra mim e para meus irmãos o verdadeiro segredo da vida: correr atrás dos sonhos, batalhar por eles fazendo e vivendo do que se ama.

Saí de casa com 18 anos com o mesmo espírito de independência da minha mãe e sempre joguei duro, já trabalhei como balconista de loja, recepcionista de hotel, garçonete, bartender, hostess, fotógrafa, vendedora de pão de queijo, babá e etc, tudo que fosse lícito e digno eu me metia a fazer para continuar sustentando meu sonho de liberdade, sempre aliada com meus estudos de dança, cheguei a dar aulas como substituta da minha professora e depois assistente dela e mais tarde como professora de dança do ventre da turma infantil.
Saí do ensino médio e prestei vestibular para Direito, (simmm, DIREITO) eu sei, eu sei, não combina nada comigo e apesar de saber disso eu tinha ambições de ter uma vida boa no futuro, poder ter segurança e viajar todo ano, construir uma familia e dar uma boa vida aos meus filhos. Passei em primeiro lugar no vestibular e cursei até o terceiro ano mas desisti de vez do direito, além ver com os próprios olhos que a justiça no Brasil era aquela podridão toda que já me falavam eu percebi que jamais  seria feliz em um terninho, dentro de um escritório, tendo que mentir para sobreviver e
mesmo se eu passasse em um concurso público e tivesse a eterna garantia e segurança que todos almejam, ainda assim não estaria completa, minha felicidade consiste em dançar e no tempo que dei aulas percebi que amava ensinar.

Então larguei a faculdade, comprei uma passagem para Europa e fui esfriar a cabeça, me descobrir de verdade. Três meses foram o suficiente para dar uma respirada, pensar na vida e o que eu queria dela e voltar pra colocar em prática. Antes de eu ir viajar conheci um pessoal que trabalha com teatro e dança e me convidaram para  integrar o elenco de um musical que ficou em cartaz durante 6 meses e nesse período eu tive a experiência de viver apenas com o fruto da arte e da dança, nesse momento eu tive um esboço do que eu queria para minha vida.
Quando voltei tive certeza disso e consegui um trabalho de dança fixo onde eu me apresento todas as sextas feiras e as vezes aos domingos em um complexo de lazer local, fora outros convites para peformances em jantares, festas e eventos, abri a minha turma de aulas de dança do ventre e sigo com vários projetos para um futuro muito próximo, continuo estudando muito e com a agenda sempre cheia. Além disso com a turma do teatro faço uma participação todas as segundas e também com outros projetos musicais.

Hoje posso dizer que comecei a trilhar o caminho dos meus sonhos onde sei que o destino está distante mas a cada passo me aproximo de conquistá-lo, o mais imporante é que eu vivo feliz e com qualidade de vida fazendo o que eu amo e não atrás de uma mesa com pilhas de processos chatos para resolver. Não digo que a vida de um advogado, médico, dentista, etc, não seja digna e feliz, não não...Não para mim, mas se você ama o que faz, segue a profissão que você escolheu de coração é isso que conta. O impotante é ter amor pelo que se faz.
Eu estou nesse caminho que segui e batalho duro cada dia pra poder ser uma profissional de sucesso e poder ter a vida que eu quero, com cada vez mais qualidade. Nada é fácil, é preciso jogar duro mas se existe amor e paixão pelo que se faz o caminho a trilhar e cada desafio fazem parte dessa felicidade. São doses diárias. Agradeço aos meus tios "porra loucas" e minha mãe que me fizeram descobrir que o caminho da felicidade não é a faculdade, ou um curso tradicional, mas sim seguir o seus sonhos e torná-los reais. <3